sábado, 5 de março de 2011

Metrô Consolação



Humanidade
de chorar anônimo
em meio a pessoas elétricas correndo
passando aceleradamente como a vida passa

Chorar anônimo é o verdadeiro consolo
necessário para esvaziar-se
e reunir forças para andar adiante

Na Consolação,
Chorar em meio a gente
sem ser visto por ninguém
nem por você mesmo


Esquecer de ser

O meu mundo tem páginas infinitas
com histórias múltiplas
exóticas e diferentes
divididas em milhares de tomos.
Cada tomo, milhares de páginas,
Em cada página, histórias múltiplas
mas todas escritas com letras negras
em páginas brancas que de tão infinitas
não há eternidade que possa existir
para me dar o poder de ter conhecimento de todas.

Livrarias e bibliotecas são para mim
espaços mais sagrados que igrejas.
Eu me sinto protegida do mundo
como se aí ninguém pudesse me fazer mal.
Os livros consolam a alma
ocultam a dor
Te levam para outros mundos
outros céus, infinitos.

O livro é uma alucinação.
A coisa é que ele um dia acaba
e toda a dor volta.
Sofrer com a personagem serve para esquecer
o meu próprio sofrimento.

Eu queria morar assim
Numa imensidão de livros
Para ler um atrás do outro
e esquecer quem sou
e porque estou aqui.