quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Sofia e o deserto de si mesma


Em seus encantamentos,
perdeu-se Sofia pelo mundo
andando pelos caminhos sem fim
até chegar onde ninguém chega
onde não havia florestas, nem flores
nem água , só vento
suicida que se debatia contras as pedras.
Aos seus pés a areia
dura, áspera rígida
Sofia sentiu medo
Tentou voltar, mas não havia volta
Quis continuar
mas a fadiga se apoderou dela;
Seu grito ecoou pelas pedras
rebatendo as suas próprias dores
Desejou correr
mas não se pode fugir de si mesmo
As angústias de ser mulher
se multiplicam na solidão
Encolheu-se,
cheia de areia até a alma
o sol cegando, cortando o céu azul
E em seus delírios ela via
a escuridão dos seus caminhos
Contou seus medos
até perder-se em signos e algarismos
afundando-se na areia
corpo e alma de areia
enquanto a ampulheta da vida
derramava os últimos grãos
na expectativa do último suspiro.
Ninguém podia defendê-la dela mesma
Os olhos, mesmo secos,
romperam em água

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Onde vamos parar?

Se a pobre árvore
Fica em seu lugarzinho
sem fazer mal a ninguém
Se nem boca nem pernas ela tem

Se ela assim mesmo nos abraça
e nos dá sua sombra
suas flores e frutos

E se assim mesmo a machucamos
maltratamos e matamos
Onde este mundo vai parar?

(a vida traz cicatrizes a todos, às árvores, às crianças e aos sonhadores)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A SAGA DE SOFIA - Primeiros Passos


No início de sua viagem
A menina crescida
Cheia de espanto
do verde das árvores
Texturas, sabores
Perfumes, cores
Diversidade
Da sorte de um lugar tranqüilo
Quieto, pleno.
Certa de justiças, de verdades,
De sinceridades e promessas
Esquece a espada, esquece a batalha
E se deixa envolver pelas flores
Pelo azul imenso sob sua cabeça.
Pela estrela amarela a brilhar no horizonte
Pela brancura da Lua no veludo da noite
Vê a si própria florir
Desperta para o calor do sol, para a luz da vida
Caminhando e caminhando
Encontrando gentes, culturas, variedade
De falares, personalidades
Conhecendo pessoas,
Amando-as, aceitando-as
Andando, Andando,
Pelas veredas seguindo a música do mundo
Pernas crescidas pelo caminhar
Mente explodindo idéias
Como o guia coração
Ideais nascendo no peito
Impulsionada pela fé da intuição
Companheira de si mesma nos caminhos
Reluz no descobrir-se em solidão forte
Carregando uma mala de sonhos, de amor e serenidade
Deixando por onde passa, saudade
Permitindo seduzir-se pelas maravilhas do desconhecido

A SAGA DE SOFIA - Fuga


Nós surgimos enrolados
Contraídos no conforto do ventre materno
Protegidos no calorzinho confortável
De um ninho de amor
Pequenininhos
Somos empurrados para fora
Expulsos do Éden
Forçados a vir a um mundo que não queremos
que nos desperta com luz, frio, ruído e movimento.
Encaminhados para o novo
Embalados pelos nosso próprios medos
Protegidos em uma redoma de paredes de mentira.




Mas então chega a hora que os vestidos
Já não escondem as formas de mulher
E a menina precisa sair de seu castelo
Precisa pular seus medos e enfrentar o mundo
Gigante e orvalhado cheio de gentes
Cheio de medos, de frio
De labirintos, precipícios.
Em busca de uma flor, de um sorriso
De um sonho
Um amor


Precisa de algo que faça sentido
Em meio às futilidades, julgamentos
Preconceitos e burguesises
Necessita de algo que a faça sentir
Que a permita viver
E não morrer
tão só passando pelo mundo

A menina que não cabe em seus vestidos
Veste-se de coragem
Salta o muro do medo
E cai no chão do temor
Certa de que uma luta é necessária
Mas encantada por sentir em seus pés a terra
De um mundo grande e amedrontador
De um mundo real.




domingo, 9 de novembro de 2008

Um presente de aniversário





O GROSSO DA BOSSA me fez uma grande surpresa: transformou meu poema CAFÉ em uma bela canção....

http://www.myspace.com/ogrossodabossa

Aos leitores deste cantinho, disponibilizo o link para relembrar o poema:

http://maisumaamelie.blogspot.com/2007/09/caf.html

Obrigada Sérgio pela homenagem e por acreditar no meu trabalho!