quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Sofia e o deserto de si mesma


Em seus encantamentos,
perdeu-se Sofia pelo mundo
andando pelos caminhos sem fim
até chegar onde ninguém chega
onde não havia florestas, nem flores
nem água , só vento
suicida que se debatia contras as pedras.
Aos seus pés a areia
dura, áspera rígida
Sofia sentiu medo
Tentou voltar, mas não havia volta
Quis continuar
mas a fadiga se apoderou dela;
Seu grito ecoou pelas pedras
rebatendo as suas próprias dores
Desejou correr
mas não se pode fugir de si mesmo
As angústias de ser mulher
se multiplicam na solidão
Encolheu-se,
cheia de areia até a alma
o sol cegando, cortando o céu azul
E em seus delírios ela via
a escuridão dos seus caminhos
Contou seus medos
até perder-se em signos e algarismos
afundando-se na areia
corpo e alma de areia
enquanto a ampulheta da vida
derramava os últimos grãos
na expectativa do último suspiro.
Ninguém podia defendê-la dela mesma
Os olhos, mesmo secos,
romperam em água

2 comentários:

Eliana Mara disse...

Os desertos de si mesma, de saber melhor sobre si e ter medos. Sempre desertos, sempre poemas.


Bjs

Tangerina disse...

Maravilhoso.