quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Refletindo sobre o Paraíso

Paraíso não!
Viver tanto para aprender a ser para partir para o "não ser"?
Aprender que se é  a atitude que se toma, a escolha que se faz.
Ora, se Deus é verbo que se fez carne, ele é ação.
Se é ação, é jovem, experimentador e curioso.

E vocês ainda creem que Deus
vivia em um gramado, cheio de gente
descansando em paz!

Não me prometam o tal do paraíso.
Quando eu morrer
quero aplicar o que aprendi
e aprender mais com outros seres viajantes.

Acho que o descanso eterno
deve ser o castigo dos infernos!

Não me digam também
o que devo pensar.
Se Deus é ansioso experimentador
não posso crer que ele siga lei qualquer
diferente do amor.

E não existe amor no dinheiro,
muito menos em se achar superior
aos outros.
Deus existe só no perdão.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Montevideo


 A capital da República Oriental do Uruguai
é feita de três elementos principais:
o vento,
o céu
e o mar.

O céu é sempre lindo
e tem personalidade própria.

O mar sempre te encontra
mesmo que você não o busque.

O vento é intempestivo:
calmo te refresca,
contrariado dá medo.

A gente tranquila, sorri.
E meu coração fica todo azul.



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Despedida

Você foi embora.
Deixou somente
uma canção triste
e uma foto de um sorriso amarelo.

Foi assim, sem mais,
sem nem dizer adeus.

Fiquei eu, toda enrolada
feito uma menina medrosa
com medo até de viver.

O sol dói lá fora.
A noite companheira chega
e me abraça,
me enche de escuro.

A solidão consola,
acompanha.
Como sou ingrata!
Ainda assim me sinto só.

domingo, 16 de setembro de 2012

Florescer

Ilustração de Alexandre Barazino



Ela estava estranha naquele dia.
Resolveu então sair e respirar,
suspirar, refletir o que acontecia,
por quê estranhar-se a si mesma.

A passos lentos e preguiçosos
entrou num parque qualquer,
sentou-se em um banco qualquer
e viu nas árvores únicas
pequenos botões
que logo seriam flores.

Será que também ela era um botão?
Será que seu destino também era ser flor?
e se estivesse se sentindo estranha
porque não estava sendo o que deveria ser?

Um sorriso despontou. Sentiu a resposta lá dentro
florescer  em seu coração.
Apesar de tudo,
era primavera.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Aconteceu assim


Meses sem escrever poesia. A caneta só deslizou o papel para fazer cálculos, rascunhar glossários, termos técnicos. E onde havia tempo?
De repente me achei incapaz. Será que a poeta que vivia em mim tinha morrido? Logo eu ficar presa às ideias racionais do mundo, aos números, aos dicionários. E sem mais percebi que fiquei longe dos livros não obrigatórios, que passei muito tempo sem leitura por prazer.

Aí, não mais que de repente
as letras vieram de espanto
formando palavras num redemoinho
de ideias que se misturaram
com ventanias de sensações.

Ai, o papel branco
de repente cheio de letra,
de caligrafia corrida,
de linhas tortas
sorriu satisfeito.

E sim, pude voltar
a poetisar sem querer
sem obrigações
só por necessidade
de oxigenar o coração.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Os nossos olhos

(para Alexandre Barazino)

Os olhos dele são negros, profundos e guardam uma história triste. Belos. Hipnotizantes. Não tive como não me apaixonar por estes olhos redondos, amigos, sinceros e tristes. Comecei a fantasiar que poderia fazê-los feliz. Logo eu, de olhos comuns, castanhos sem graça, sem brilho nenhum. Mas meus olhos sorriem quando veem esses olhos negros e percebi que quando os meus sorriam, os dele esboçavam um sorriso de amor. E quando meus olhos viam amor nos belos olhos negros, irradiava uma felicidade tão intensa que os fazia ter brilho. E os olhos negros, recebiam o brilho e o transformava en cores, sabores, em uma força magnética incalculável, dessas que não se pode lutar contra. E meus olhos lá queriam lutar contra algo tão bonito? Só queriam refletir esses sentimentos todos dentro de si, contentes que por um segundo conseguiram que os olhos negros, seguissem profundos, mas agora muito mais felizes. E os olhos dele eram os meus e os meus olhos eram os dele. A história triste virou uma história de amor.