domingo, 30 de março de 2008

Porque você se cobra tanto?


Pergunta que não tem resposta
para a menina medrosa que tenta sobreviver
no enorme mundo
que não faz sentido,
de tão louco e insensato
de tão desumano
que é...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Viagem pelo mundo


No mundo real, fazer o mal é bom. Puxar o tapete, sacanear o amigo, ser competente em armar maracutaia. Humilhar então nem se fala. Quem humilha é importante, porque se faz grande pisando pequenos. Quem humilha tem cargo,tem carro, tem mansão. Quem é grande sai no jornal. Ladrão trabalha no congresso, e gente burra aparece na tv. Prostituta é eleita a mulher mais bonita do verão. Gente que escreve livro de auto-ajuda é intelectual. É aplaudido, diplomado. Quem é campeão no blábláblá entra na afamada academia universitária. Vira pesquisador. Quem tem as costas quentes vira gerente, presidente. Quem tem grana vira dono do mundo. Quem grita é educado. Quem sobe no salto é gente. Como resume a poeta, “No mundo real as pessoas desejam ser iguais para serem diferentes”.

Decidi que disso não faço parte. Sigo escrevendo poemas, recolhendo sonhos e cantando canções. Sigo abraçando ideais, caminhando ao lado da utopia. Continuo o caminho, tentando colorir o mundo por alguns minutos, com a loucura de tentar ser feliz. Para o mundo real sou torpe, idiota e burra. Para o mundo das idéias, sou ser humano.

Em minhas andanças encontrei alguém com as mesas ânsias que as minhas, carregando a mesma angústia pelas mesmas injustiças do mundo real. Nos reconhecemos. Tocamos um ao outro com o olhar, e vimos que éramos feitos da mesma essência, da mesma vontade de amar e ser feliz.

Vou-me embora para Pasárgada, braços dados com o homem que amo, na tentativa insensata de abraçarmos os ideais que acreditamos e plantando, à nossa passagem, a semente da diferença que unifica. Os limites não existem para os que sabem voar.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Os ombros suportam o mundo


As vezes o mundo é cinza. E aí eu volto a ser a menina medrosa encolhida debaixo da cama, esperando a chuva passar. Porque estes dias vem? Porque temos que nos sentir assim, encolhidos diante da vida? Calço os sapatos, mão na maçaneta, penso na possibilidade de não sair. Penso na possibilidade de adiar essa batalha diária.




Hoje eu me levantei angustiada. O trabalho pesado, as muitas folhas que eu sabia, tinha que terminar de revisar hoje, somava-se ao toque do telefone, aos muitos e-mails para responder.


Os prédios da Avenida Paulista pareciam estar ali indiferentes a tudo que acontecia, e a cidade me pareceu fria, cruel, apática. Parei, tomei um café. O tilintar da xícara no pires era irritante. Ao lado duas peruas discutiam moda, enquanto dois executivos discutiam a queda do dólar na bolsa. O que estava acontecendo com o mundo?