segunda-feira, 17 de março de 2008

Viagem pelo mundo


No mundo real, fazer o mal é bom. Puxar o tapete, sacanear o amigo, ser competente em armar maracutaia. Humilhar então nem se fala. Quem humilha é importante, porque se faz grande pisando pequenos. Quem humilha tem cargo,tem carro, tem mansão. Quem é grande sai no jornal. Ladrão trabalha no congresso, e gente burra aparece na tv. Prostituta é eleita a mulher mais bonita do verão. Gente que escreve livro de auto-ajuda é intelectual. É aplaudido, diplomado. Quem é campeão no blábláblá entra na afamada academia universitária. Vira pesquisador. Quem tem as costas quentes vira gerente, presidente. Quem tem grana vira dono do mundo. Quem grita é educado. Quem sobe no salto é gente. Como resume a poeta, “No mundo real as pessoas desejam ser iguais para serem diferentes”.

Decidi que disso não faço parte. Sigo escrevendo poemas, recolhendo sonhos e cantando canções. Sigo abraçando ideais, caminhando ao lado da utopia. Continuo o caminho, tentando colorir o mundo por alguns minutos, com a loucura de tentar ser feliz. Para o mundo real sou torpe, idiota e burra. Para o mundo das idéias, sou ser humano.

Em minhas andanças encontrei alguém com as mesas ânsias que as minhas, carregando a mesma angústia pelas mesmas injustiças do mundo real. Nos reconhecemos. Tocamos um ao outro com o olhar, e vimos que éramos feitos da mesma essência, da mesma vontade de amar e ser feliz.

Vou-me embora para Pasárgada, braços dados com o homem que amo, na tentativa insensata de abraçarmos os ideais que acreditamos e plantando, à nossa passagem, a semente da diferença que unifica. Os limites não existem para os que sabem voar.

Um comentário:

Anônimo disse...

Me encanto tu cierre: Os limites não existem para os que sabem voar.
Bona sort, bella dona!