quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Uma carta ao menino Deus


Prezado Senhor Menino


O que eu peço não é muito, nem pouco. Não são coisas materiais, porque um dia sei que o Senhor me levará a conhecer outros mundos em que o efêmero não terá importância. Por isso também não posso pedir paz porque o mundo em que vivo está em guerra, e muito menos saúde, porque os corações das pessoas estão enfermos, e não te ouviriam. Não posso pedir amor, porque isso o Senhor nos deu quando se ofereceu a morrer por nós.


O que peço não é para mim, nem para as crianças, nem para os ingênuos, porque somos os únicos que em Ti cremos, e a Ti nos entregamos. O que peço é que neste Natal, quando a lenda no Amor que desceu à Terra seja lembrada, que os corações mais gélidos e egoístas recuperem sua capacidade de sonhar. Que possam acreditar no bem para o bem existir. Acreditar na Luz para que ela possa iluminar.


Um grande abraço!


Nos vemos logo ( é fácil visitar o meu coração quando sei que o Senhor Menino aí me ouve, me embala, me encanta, me alegra e me consola)


FELIZ NATAL!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A bagagem de Sofia


As lágrimas escorreram do rosto
Desceram e alcançaram o coração seco
quase areia
mas que pode lembrar-se de amar
Sofia levantou.
A cabeça zunia incongruências
mas era necessário inventariar a própria derrota
Contou os cacos de si
Localizou as feridas:
sabia que não estava só
Olhou e viu-se rodeada por seus próprios medos,
tão concretos e brutos
Sombras que riam dela.
Enfrentar , inútil
Eram muitos, eram fortes
Ela, uma menina
Talvez se fizesse necessário camuflar o mal do mundo
Como quando vivia em seu abrigo de cristal
Decidida,
abriu a mala, escondeu os medos
ajeitou ali desventuras, fracassos
Desencantos
Eles tinham que servir para alguma coisa um dia
O vento zunia nos ouvidos
Sofia sabia que todo laberinto tinha uma saída
e que o vento conhece todos os caminhos
Respirou fundo.
Apertou nos dedos a mala pesada
Olhos fechados, sentiu uma pétala de jasmin
que o vento soprou no seu ombro esquerdo.
Não teve dúvida.
Arrastando a mala pelas areias
o vento apagando seus rastros
Sofia sabia que alguém a chamava.
E é para lá que tinha que ir.