quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A bagagem de Sofia


As lágrimas escorreram do rosto
Desceram e alcançaram o coração seco
quase areia
mas que pode lembrar-se de amar
Sofia levantou.
A cabeça zunia incongruências
mas era necessário inventariar a própria derrota
Contou os cacos de si
Localizou as feridas:
sabia que não estava só
Olhou e viu-se rodeada por seus próprios medos,
tão concretos e brutos
Sombras que riam dela.
Enfrentar , inútil
Eram muitos, eram fortes
Ela, uma menina
Talvez se fizesse necessário camuflar o mal do mundo
Como quando vivia em seu abrigo de cristal
Decidida,
abriu a mala, escondeu os medos
ajeitou ali desventuras, fracassos
Desencantos
Eles tinham que servir para alguma coisa um dia
O vento zunia nos ouvidos
Sofia sabia que todo laberinto tinha uma saída
e que o vento conhece todos os caminhos
Respirou fundo.
Apertou nos dedos a mala pesada
Olhos fechados, sentiu uma pétala de jasmin
que o vento soprou no seu ombro esquerdo.
Não teve dúvida.
Arrastando a mala pelas areias
o vento apagando seus rastros
Sofia sabia que alguém a chamava.
E é para lá que tinha que ir.

Um comentário:

oi disse...

Simplesmente Demais!