segunda-feira, 20 de junho de 2011

O medo

O medo é um fantasma que me visita
quando estou dormindo
Ele me conta histórias de terror
e muitas vezes me faz acreditar nelas.

Como gosta de me pregar peças!
E não tem graça nenhuma
tê-lo comigo.
Eu fujo, saio correndo
em disparada
Acordo esbaforida
trêmula.
Porque é tão difícil
livrar-se do medo
quando se está só
e não se pode ter
um abraço?


quinta-feira, 16 de junho de 2011

A tardinha


A tarde cai devagar
pintando o céu de vermelho
eu só observo da janela
olhos secos
boca num sorriso feio.

O frio fere a pele do rosto
e canta nos ouvidos.
A solidão me abraça
convencida que sou só dela
e de mais ninguém.

A noite chega, devagar
eu observando pelo vidro
olhos úmidos
boca numa canção doída.

Escureço,
junto com a noite
quieta e calada.


terça-feira, 14 de junho de 2011

Lira do coração estrelado



Eu pulei até o carnaval, amor,
procurando ao menos a alegria
de ter um olhar seu.
Procurei o sabor do seu beijo
nos mais finos doces,
busquei o brilho do seu sorriso
nos faróis dos carros
do trânsito acelerado de São Paulo.


Nem o calor do seu abraço consegui,
e o busquei num delicioso
abrigo de lã....
Não, não foi possível.

E o que ficou?
Superficialidade,
Sorriso ensaiado,
O frio da garoa.
Eu te dei tanto
e você me deu tão pouco.

O coração é ilógico,
tão quanto um jogo de dados.
E eu sou tão lírica
quanto uma estrela...


sábado, 11 de junho de 2011

Conjugando a solidão

Eu estou só.
Fui só.
Serei só.
Como o fogo que queima
até virar cinzas,
fumaça livre no vento
voando sem rumo
sem pertencer a ninguém.

Eu queria ser flor,
encanto, espanto.
Canário do campo,
para ao menos cantar
meu canto triste.

Mas sou mulher
e ando no asfalto
atravesso a dor
e sorrio um
sorriso de ser só.