Rennt, Damiana, Rennt


5h. O sol ainda não nasceu, mas meus dedos teclam loucos num computador ligado a toda. Abro um e-mail, chegam oito. Abro dois, chegam mais vinte. O sol nasce. Bebo um café, e meu corpo recebe a ducha fria. Visto a roupa de todo dia. Sapato, bolsa. Lápis no olho. Não sei porque sem lápis no olho me sinto cega.
Corro para o ponto do ônibus. No Sacomã lotado, anotar compromissos na mente, fervilhando ideias. Metrô. Lotado, claro. O Paraíso parece um inferno. Desço na Consolação, os passos firmes na avenida, a cabeça vai e volta nas milhares de coisas que eu posso fazer, que eu posso criar. Um sorriso no canto da boca. Cara crachá na recepção. Aula de espanhol na empresa. Coração na aula, cabeça na agenda.
9h30. Correndo para o Paraíso, que continua infernal. Estação da Luz. Corro para o trem. O balanço convida a um cochilo, mas e minha monografia! Meu Deus, minha monografia! E aquela tradução? E depois, aula, reunião, revisão! Não posso esquecer, reunião. Ligar para fulano, cicrano e beltrano, nessa ordem. Mandar e-mail para beltrano, cicrano, fulano. E o celular toca: uma, duas, três... mil vezes.
11h- Desço na estação. Corro para a escola. Meio milhão de coisas para fazer, hora de dar tchau. Me enfio no ônibus. Corro para São Bernardo. E celular, computador, reunião, agenda, telefone.
12h- mais aulas, mais coração apertado, mais cabeça cheia. não consigo entender como nós mulheres conseguimos fervilhar tantas ideias ao mesmo tempo. Mastigo alguma coisa enquanto escrevo uma citação para a monografia, que acaba virando um poema.
14h- sentada diante do computador, dedos em disparada, revisando, traduzindo, dando apoio a um amigo, tranquilizando o cliente desesperado de que sim, o prazo está bom, sim, vai dar tudo certo. As horas se passam, enquanto emendo um trabalho no outro.
18h- aula de espanhol. mastigo uma bolacha e sorrio. 20h30: sento numa mesa cheio de papel e penso que enloqueci. Comida para o peixe beta. Banho. 24h: fecho a lojinha e som o sentimento de missão não cumprida vou dormir. O sonho é bom não completo. Sonho bom é sonhar acordada. E eu vou vencer. Ah, se vou!

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