sexta-feira, 4 de junho de 2010

Crônicas Hospitalares


Bom, depois de todo o susto, todo o nervosismo e o medo, chegou o grande dia. Internei às 6h da manhã. Minha irmã, morta de sono e com uma touca de lã enfiada na cabeça, me levou ao hospital. Por causa da agitação dela, o enfermeiro pensou que quem ia operar era ela. Ainda bem que consegui chegar a tempo de impedir o mal entendido. Vesti aquele aventalzinho ridiculo e fui para o centro cirúrgico. Lá as enfermeiras estavam animadésimas, como se aquilo fosse um parque de diversões. O meu médico chegou, bateu um papo comigo e lá fui eu para a sala de cirurgia. Chegando lá estava meu médico, num canto estudando meus exames, e as enfermeiras na maior animação. Eis que chega ele, o anestesista: um senhor gordinho de cara engraçada que diz: "que você tá fazendo aqui minha nega?" E eu respondo que era por culpa de uma hérnia de disco. E ele: " aff essa &#@&* se resolve com rebolation!". Pois é amigos, apaguei ouvindo uma discussão animada sobre que tipo de dança eu deveria fazer quando tivesse alta ( " dança do ventre é a mais dá hora, rebola tudo"; "Não, melhor dança cigana").
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Depois de dormir até umas horas, acordo com a enfermeira balançando um pote nojento na minha cara: era minha hérnia já devidamente embalada e etiquetada. Mas vamos aos fatos:
1- Seja bonzinho com os enfermeiros. Eu levei bastante chocolate para adoçar a vida eles. Isso fará com que eles sejam mais doces na hora de perfurar suas veias.
2- Quando te autorizam a sentar na cama você entende porque o Fábio Junior escreveu a música: "quando gira o mundo e alguém chega ao fundo de um ser humano".
3- Existe uma coisa chama Tramal e que os médicos dizem que é remédio para tirar a dor, mas é uma coisa que dá barato. Eu via coisas andando no teto, o chão parecia que balançava e minha cama se transformou em areia movediça. Eu pedi pelamor para o médico tirar essa coisa da minha lista de remédios, mas ele tava com medo de eu sentir dor. Eu jurei que se sentisse dor eu gritava. Funcionou: eu não tive dor e fiquei sem sentir barato. Comecei a viver de novo.
4- Nota importante: sentir barato é uma idiotice. Brigava com a minha razão as coisas que eu via. Eu tinha que ficar falando para mim mesma: calma, formigas rastejantes não existem....
5- Os enfermeiros ficaram nervosos porque eu tava sem remédio para dor e saiam correndo pelo corredor quando eu apertava a campainha. Era engraçado.
6-O bom de operar a coluna (se tem lado bom) é que a dieta é liberada. Comia carne assada, arroz doce, doce de leite, frango com cebola...... A hora feliz era a hora de abrir a bandeja e encher a pança. Comer é entretenimento.
7- Ser piadista nessas horas é bom. Enfermeiras ficam à sua volta direto, enquanto os pacientes resmunguentos ficam sozinhos.
8- Fiquei tão amiga das enfermeiras que elas desenhavam corações nos meus curativos.
9- O pote nojento foi definitamente para o lixo. Mas quando estávamos convivendo ( não sabia se podia jogar fora ou iam fazer algum exame da hérnia retirada) eu chamava aquela coisa de Bob. O médico deixou jogar fora depois que expliquei que não seria legal ter uma hérnia na geladeira ao lado do molho inglês e do catchup. Se fosse ainda uma pedra de rim, dava para enfeitar o jardim, mas hérnia de disco não servia para *&¨%$% nenhuma. Ele achou o argumento convincente.
10-Quando perguntei se a cirurgia tinha ido bem, o médico disse: "olha, o corte teve que ser maior, porque sua hérnia era o que eu imaginava, mas não o que eu queria que fosse". Vou dar um prêmio de oratória para ele. Não sabia que neurologistas eram bons de papo.
11- O japonês é danado para dar pontos. Ficou tão bonito que parece que fez com régua. Pena que repuxa e coça.Tadinho, dá prá ver o cuidado que teve: se vê claramente que ele fez um corte menor, e que depois teve que aumentar o buraco. Vou dar um troféu joinha prá ele por, apesar de tudo, ter tentando um corte menor. Pena que o Bob atrapalhou tudo.
E é isso meninos e meninas! Aproveito para dizer que, se quiserem me ver de pijama, a exposição vai até terça. Depois disso, vou correr pro abraço!!!!!!!!

Um comentário:

Marli Carlini disse...

Ah miga... só quem ja foi para o hospital algumas vezes pode entender o que vc está dizendo... mas... será que o anestesista vai gostar de ser chamado de baixinho com cara engraçada????
O importante é que vc está bem.
Um beijão