Procedimento de cura de um coração ferido


Um coração ferido é uma porta de entrada para enfermidades terríveis como a solidão, a tristeza e, a pior de todas, a mágoa generalizada que, como todos sabem, pode provocar a morte súbita da alma do portador. Exatamente por isso merece cuidados especiais em seu tratamento, que é difícil e dolorido


Deve-se abrir bem a chaga com o dedos e dela retirar o rancor, a raiva e todos os mal-entendidos. Deve-se cutucá-la fundo, o que traz um incômodo grande ao paciente, provocando dor aguda. Por isso nossa orientação é de que ele faça o procedimento em si mesmo, aos poucos, até onde seu próprio limite permitir. Mas atenção! Se ficar algum vertígio de sujeira, o corte nunca cicatrizará. Portanto esta é uma fase fundamental do tratamento.


Depois de limpo, o ferimento estará profundo e aberto por completo. Deve-se então preenchê-lo com boas lembranças, olhares de promessas, flores roubadas ou fotos do verão passado. Compressas com lágrimas e ingestão de chocolate meio amargo acompanhado de potes de sorvete napolitano com o melhor amigo e um filme adociado também ajudam a aliviar o mal-estar provocado nesta fase do tratamento.


O paciente nesta fase estará muito sensível e por isso ou estará quieto e escondido em algum canto ou fingirá que nada está acontecendo. Tenha paciência. O paciente tentará lutar para que não volte a sentir tamanha dor e cada um age de uma forma. Se for recriminado por suas atitudes, poderá correr o risco de desenvolver distúrbios de personalidade graves, como o de se afastar de seus entes queridos ou apresentar medo de relacionar-se com outras pessoas.


Depois de enxertado o curativo, a área ferida apresentará uma sensibilidade muito grande. A maioria dos médicos costuma receitar nesta etapa uma dose de abraços amigos de 3 em 3 horas, o que costuma agilizar o processo de cura.


O ferimento costuma demorar a cicatrizar. Mesmo depois de curado, deixa uma cicatriz feia no lugar. Por isso deve-se ensinar o paciente a conviver com ela.


O acompanhamento deve ser intenso, principalmente porque estas cicatrizes costumam voltar a abrir, podendo ser infectadas novamente com o vírus do amor platônico.

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